Quando eu era pequena detestava aquelas coisas todas de menininha: vestidos, laçarotes, sapatos apertados e andar arranjadinha... O meu herói era o Zorro e detestava tomar banho (até entrar para a banheira claro). Um dia a minha mãe disse-me: "sonhos cor-de-rosa", e eu achei aquilo uma estupidez. Não conseguia imaginar um mundo inteiramente rosa, dava-me náuseas. Então disse-lhe "cor-de-rosa não... Da cor do arco-íris". E ela fez-me a vontade... De então para diante todos as minhas despedidas nocturnas passaram a ser com expectativas de sonhos mais coloridos que monocromáticos.
Provavelmente esta nota introdutória nada vos diz... Não me levem a mal, adoro cor de rosa, mas a ideia de que tudo seria igual (com excepção de tonalidades) é demasiado estranha... Falta cor à vida, confesso que falta cor à minha vida... Tudo é demasiado cinzento, carregado e sombrio. É preciso sombra, e é precisa luz.
Luz nas pessoas, que se tornaram carrancudas e embirrentas, que se "insultam" mesmo na brincadeira, sem saber como isso pode magoar e "ferrar" a outra pessoa. Falta esperança, vontade de lutar por ideais e não apenas por desejos próprios...
Às vezes dou comigo a ver fotos, paisagens, a escutar risos e gargalhadas e a sentir-me no topo... E sinto que há algo mais que isto, que o quotidiano tristonho e moribundo de quem entrou na rotina. É certo que também saimos dela... Mas não seria mais certo se não vivessemos nela? Se não vivessemos dela?
São coisas que me lembro, e exalo os suspriros em forma de texto...
quinta-feira, 3 de maio de 2007
segunda-feira, 30 de abril de 2007
"Ainda falta muito?"

8-9-10... 14 da tarde... Gente à pinha num corredor estreito, respirando um ar já viciado que denuncia doença e mal estar. Um pequeno inferno de caos e horror onde certamente não gostariamos de estar. Para o comum dos mortais, é esta a visão de um serviço de urgências. Para quem lá trabalha não é muito diferente...
Rezamos para que ninguém se magoe e que decidam ir ao centro de saúde antes de passarem pelas urgências. Mas nem o nome de santo com que batizaram o hospital ajuda à prece...
E, assim, passamos o dia a ver e ouvir pessoas que ficam irritadas por não serem atendidas no tempo que consideram útil, que lançam olhares fulminantes e súplicas maldispostas para quem vêem mais frequentemente e consideram mais frágil, e idolatram a figura tantas vezes autoritária que os faz (frequentemente) esperar tanto tempo.
Até nos serviços de saúde há uma certa "paternalidade" dos cuidados: estamos chateados com o pai mas resmungamos sempre com a mãe, que não tem culpa nenhuma do cenário dantesco da coisa. Mas o herói é sempre o pai...
E que tal se nos começarem a dar uma "folga" nesta carga de intensidade emocional? Porque é quem está mais perto das pessoas doentes é que come sempre por tabela?

Enfim... talvez estivesse na hora dos serviços de saúde passarem por uma abordagem mais "Feng Shui", com vista a diminuir as tensões acumuladas dos seus clientes e profissionais.
Eu cá voto por sessões de massagens (ou qualquer terapia alternativa) gratuitas para profissionais e estudantes de enfermagem...
Mas enquanto isso não chega, resta engolir em seco e sorrir, respondendo educada e polidamente. Afinal, o cliente tem sempre razão... E, por isso: "Aguarde mais um pouco, o resultado dos exames deve estar a chegar"...
sábado, 28 de abril de 2007
3 minutos
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Ouço a tua voz profunda
Balsamo da minha vida
Balsamo da minha vida
Saturada e perdida
Na imensidao de um vazio
Não me aquece quando chega o frio
Não me alimenta se tenho fome
A salvação nas mãos de um homem
Que nem sequer sabe se existo
Um sentimento que é misto
Entre o desespero e a esperança
De ser apenas uma lembrança
A apagar pelo tempo ruim
Compreendo que seja assim
A diversão plena de um Deus
Com desígnios tão seus
Que não os vejo claramente
Mas não é assim tão deprimente
Este tão incerto caminho
É apenas o meu destino
Que a cada passo desenho.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Pensamento do dia
Por favor lembrem-me que preciso de comprar uma impressora mais rápida... Isto começa a ser desesperante (principalmente em módo: alta qualidade).
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Ms Jones (à beira de um colacso cardíaco)
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Argh
Cansaço... Apenas isso... O eterno cansaço de se sentir que não se goza a vida o suficiente. A frustração que as poucos se instala por não se conseguir descobrir a "adrenalina" na nossa vida. Acreditar que, a cada dia que passa, os ossos e o coração ficam um pouco mais carcomdos por se caminhar num sentido que não o que deveras gostariamos. Mas, simultaneamente, não saber lá muito bem qual é esse caminho...
Bolas, mas porque é que às vezes a única coisa que resta é mesmo esperar?
Bolas, mas porque é que às vezes a única coisa que resta é mesmo esperar?
segunda-feira, 16 de abril de 2007
À partes

Há momentos em que escolhemos determinadas músicas da longa lista apresentada no pc sem saber bem a razão. Foi o que me aconteceu hoje: decidi (inconscientemente) inundar-me pela voz profunda aveludada e algo amarrotada de Nina Simone.
É difícil explicar o que acontece quando ouvimos jazz ou blues (isto para quem gosta, é claro). A sensação de ter a alma suspensa algures, e de ser levada numa estranha dança de vidas, de passado; imagens de campos de flores; o cheiro a terra quente, a verão; a brisa que toca a pele quando andamos de bicicleta; o conforto de um abraço que não sabemos bem de onde vem...
Enfim... A vida pode ser muito mais que os sentidos, mas quem deles se esquece em cada dia, fica certamente mais pobre...
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